Imobiliário: confiança sobe no arrendamento e cai na venda
Os profissionais do imobiliário estão mais otimistas no arrendamento e menos na venda de casas, segundo o índice do idealista divulgado a 19 de outubro. A confiança na venda caiu para 64,1 pontos, o valor mais baixo desde 2024.

Os profissionais do imobiliário estão mais otimistas no arrendamento e menos na venda de casas. É o que mostra o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário (ISSI) do idealista, divulgado a 19 de outubro de 2026, que mede as expectativas dos agentes para o último trimestre do ano. A confiança no arrendamento interrompeu o ciclo de quedas, enquanto a confiança na venda caiu para o valor mais baixo desde o início da série, em 2024.
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O índice resulta de um inquérito trimestral a profissionais do setor e mede perceções e expectativas, não vendas ou preços efetivos. Ainda assim, ajuda a perceber o ambiente em que vai comprar, vender ou arrendar nos próximos meses.
Os números do índice
A escala vai de 0 a 100: o zero corresponde a um descontentamento generalizado e o 100 ao grau máximo de satisfação.
| Mercado | Verão de 2026 | Final de 2026 | Leitura |
|---|---|---|---|
| Arrendamento | Mínimo atingido no verão (valor não indicado) | 51,60 pontos | Recupera, mas abaixo dos 55,7 pontos de há um ano |
| Venda | 67,1 pontos | 64,1 pontos | Valor mais baixo desde o início de 2024 |
Apesar da descida, a confiança na venda continua acima da confiança no arrendamento.
Arrendamento: mais confiança, rendas a subir
Segundo o idealista, a melhoria no arrendamento acompanha duas mudanças na lei. Os senhorios passaram a pagar IRS de 10% sobre rendas moderadas, até 2 300 € por mês, e a reforma da lei das rendas proposta pelo Governo foi aprovada na generalidade no Parlamento. A versão final dessa reforma ainda não é conhecida.
Ao mesmo tempo, a oferta continua a não chegar para a procura. As rendas pedidas subiram 6,1% em setembro face ao mesmo mês de 2025, a terceira subida mensal consecutiva, segundo o idealista.
- Cerca de um terço dos agentes prevê angariar mais casas para arrendar, mais 4 pontos percentuais do que no trimestre anterior. 30,8% espera manter o nível e mais de um quinto admite uma descida.
- 29,5% prevê fechar mais contratos de arrendamento, contra 25,1% no verão. 23,1% espera arrendar menos casas na sua zona.
- A maioria espera rendas estáveis até ao fim do ano. 17,9% prevê subidas (16,3% no verão) e outros 17,9% preveem descidas.
Venda: preços altos e crédito mais caro pesam
Na venda, o otimismo voltou a cair. O idealista aponta os preços em máximos, com uma subida de 7,9% em setembro face ao mesmo mês de 2025, e o aumento do custo do crédito à habitação.
- 59,6% dos agentes prevê vender mais casas no quarto trimestre, contra 63,1% no verão. 22,4% espera manter o nível e 16% prevê uma descida.
- Cerca de 65% espera angariar mais imóveis para venda, menos 0,8 pontos percentuais do que no trimestre anterior. 21,8% prevê manter e 11,5% espera angariar menos.
- Mais de metade acredita que os preços se vão manter até dezembro. Um em cada quatro prevê novas subidas, menos 9 pontos percentuais do que no verão, e 12,2% espera descidas na sua zona.
A oferta de casas à venda também recuou 4% no verão, segundo o idealista, embora com diferenças entre zonas.
O que mudou no crédito
Os dados mais recentes confirmam o encarecimento do financiamento:
- A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação subiu para 3% em agosto, o quinto mês seguido de subida e o valor mais alto desde abril de 2025, segundo o Banco de Portugal. 87% dos novos empréstimos foram contratados a taxa mista.
- A 19 de outubro, a Euribor a seis meses, a mais usada nos créditos com taxa variável em Portugal, foi fixada em 2,994%. A Euribor a 12 meses ficou em 3,233% e a três meses em 2,643%.
- O Banco Central Europeu volta a reunir-se a 28 e 29 de outubro.
Para os jovens até 35 anos há ainda uma questão em aberto: a garantia pública só cobre contratos de crédito celebrados até 31 de dezembro de 2026, e o prolongamento para 2027 ainda não foi formalmente decidido. Explicámos este ponto no resumo do mercado da semana de 13 a 17 de outubro.
O que isto significa para si
- Se vai comprar: menos agentes esperam subidas de preços até ao fim do ano. Compare propostas de crédito de vários bancos e confirme quanto pode pagar com o nosso guia sobre a taxa de esforço.
- Se vai vender: com compradores mais pressionados pelo custo do crédito, um preço bem definido desde o início ajuda a encurtar o tempo de venda.
- Se é senhorio: confirme se o seu contrato cumpre os requisitos da taxa de 10% para rendas moderadas e acompanhe a versão final da reforma da lei das rendas.
- Se é inquilino: as rendas pedidas continuam a subir. Se o seu contrato vai ser renovado ou atualizado, verifique as regras de atualização antes de aceitar novos valores.
Se quer perceber como está o mercado na sua zona, um consultor da K-Invest pode analisar o seu caso.
Perguntas frequentes
O que é o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário?
É um índice trimestral do idealista, calculado a partir de um inquérito a profissionais do imobiliário em Portugal. Mede a satisfação e as previsões do setor para a compra e venda e para o arrendamento de casas, numa escala de 0 a 100.
Os preços das casas vão descer?
O índice não indica uma descida generalizada. Mais de metade dos agentes espera preços estáveis até dezembro, um em cada quatro prevê subidas e 12,2% espera descidas. São expectativas, não previsões oficiais.
As rendas vão continuar a subir?
As rendas pedidas subiram 6,1% em setembro face a um ano antes, segundo o idealista. A maioria dos agentes espera estabilidade até ao fim do ano, com uma parte igual a prever subidas e descidas.
O crédito à habitação vai ficar mais caro?
Ninguém o sabe com certeza. A taxa média dos novos créditos subiu cinco meses seguidos até agosto e a Euribor subiu a 19 de outubro em todos os prazos. O Banco Central Europeu volta a reunir-se a 28 e 29 de outubro.
Fontes
- idealista/news: Imobiliário, confiança sobe no arrendamento e desce na venda de casas (19/10/2026)
- ECO, com dados do Banco de Portugal: taxa de juro dos novos créditos à habitação sobe para 3% (01/10/2026)
- Jornal Económico/Lusa: Euribor sobe a três, a seis e a 12 meses (19/10/2026)
- idealista/news: isenção de IMT Jovem mantém-se em 2027, falta decisão final sobre garantia (08/10/2026)
Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou jurídico. Os valores do índice refletem expectativas de profissionais do setor e não previsões oficiais. Informação atualizada a 19 de outubro de 2026.