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Imobiliário: confiança sobe no arrendamento e cai na venda

Os profissionais do imobiliário estão mais otimistas no arrendamento e menos na venda de casas, segundo o índice do idealista divulgado a 19 de outubro. A confiança na venda caiu para 64,1 pontos, o valor mais baixo desde 2024.

Consultor visto de costas num escritório luminoso a analisar gráficos de mercado num portátil, com os telhados de Lisboa desfocados ao fundo

Os profissionais do imobiliário estão mais otimistas no arrendamento e menos na venda de casas. É o que mostra o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário (ISSI) do idealista, divulgado a 19 de outubro de 2026, que mede as expectativas dos agentes para o último trimestre do ano. A confiança no arrendamento interrompeu o ciclo de quedas, enquanto a confiança na venda caiu para o valor mais baixo desde o início da série, em 2024.

Neste artigo (4)
  1. Os números do índice
  2. Arrendamento: mais confiança, rendas a subir
  3. Venda: preços altos e crédito mais caro pesam
  4. O que isto significa para si

O índice resulta de um inquérito trimestral a profissionais do setor e mede perceções e expectativas, não vendas ou preços efetivos. Ainda assim, ajuda a perceber o ambiente em que vai comprar, vender ou arrendar nos próximos meses.

Os números do índice

A escala vai de 0 a 100: o zero corresponde a um descontentamento generalizado e o 100 ao grau máximo de satisfação.

MercadoVerão de 2026Final de 2026Leitura
ArrendamentoMínimo atingido no verão (valor não indicado)51,60 pontosRecupera, mas abaixo dos 55,7 pontos de há um ano
Venda67,1 pontos64,1 pontosValor mais baixo desde o início de 2024

Apesar da descida, a confiança na venda continua acima da confiança no arrendamento.

Arrendamento: mais confiança, rendas a subir

Segundo o idealista, a melhoria no arrendamento acompanha duas mudanças na lei. Os senhorios passaram a pagar IRS de 10% sobre rendas moderadas, até 2 300 € por mês, e a reforma da lei das rendas proposta pelo Governo foi aprovada na generalidade no Parlamento. A versão final dessa reforma ainda não é conhecida.

Ao mesmo tempo, a oferta continua a não chegar para a procura. As rendas pedidas subiram 6,1% em setembro face ao mesmo mês de 2025, a terceira subida mensal consecutiva, segundo o idealista.

  • Cerca de um terço dos agentes prevê angariar mais casas para arrendar, mais 4 pontos percentuais do que no trimestre anterior. 30,8% espera manter o nível e mais de um quinto admite uma descida.
  • 29,5% prevê fechar mais contratos de arrendamento, contra 25,1% no verão. 23,1% espera arrendar menos casas na sua zona.
  • A maioria espera rendas estáveis até ao fim do ano. 17,9% prevê subidas (16,3% no verão) e outros 17,9% preveem descidas.

Venda: preços altos e crédito mais caro pesam

Na venda, o otimismo voltou a cair. O idealista aponta os preços em máximos, com uma subida de 7,9% em setembro face ao mesmo mês de 2025, e o aumento do custo do crédito à habitação.

  • 59,6% dos agentes prevê vender mais casas no quarto trimestre, contra 63,1% no verão. 22,4% espera manter o nível e 16% prevê uma descida.
  • Cerca de 65% espera angariar mais imóveis para venda, menos 0,8 pontos percentuais do que no trimestre anterior. 21,8% prevê manter e 11,5% espera angariar menos.
  • Mais de metade acredita que os preços se vão manter até dezembro. Um em cada quatro prevê novas subidas, menos 9 pontos percentuais do que no verão, e 12,2% espera descidas na sua zona.

A oferta de casas à venda também recuou 4% no verão, segundo o idealista, embora com diferenças entre zonas.

O que mudou no crédito

Os dados mais recentes confirmam o encarecimento do financiamento:

  • A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação subiu para 3% em agosto, o quinto mês seguido de subida e o valor mais alto desde abril de 2025, segundo o Banco de Portugal. 87% dos novos empréstimos foram contratados a taxa mista.
  • A 19 de outubro, a Euribor a seis meses, a mais usada nos créditos com taxa variável em Portugal, foi fixada em 2,994%. A Euribor a 12 meses ficou em 3,233% e a três meses em 2,643%.
  • O Banco Central Europeu volta a reunir-se a 28 e 29 de outubro.

Para os jovens até 35 anos há ainda uma questão em aberto: a garantia pública só cobre contratos de crédito celebrados até 31 de dezembro de 2026, e o prolongamento para 2027 ainda não foi formalmente decidido. Explicámos este ponto no resumo do mercado da semana de 13 a 17 de outubro.

O que isto significa para si

  • Se vai comprar: menos agentes esperam subidas de preços até ao fim do ano. Compare propostas de crédito de vários bancos e confirme quanto pode pagar com o nosso guia sobre a taxa de esforço.
  • Se vai vender: com compradores mais pressionados pelo custo do crédito, um preço bem definido desde o início ajuda a encurtar o tempo de venda.
  • Se é senhorio: confirme se o seu contrato cumpre os requisitos da taxa de 10% para rendas moderadas e acompanhe a versão final da reforma da lei das rendas.
  • Se é inquilino: as rendas pedidas continuam a subir. Se o seu contrato vai ser renovado ou atualizado, verifique as regras de atualização antes de aceitar novos valores.

Se quer perceber como está o mercado na sua zona, um consultor da K-Invest pode analisar o seu caso.

Perguntas frequentes

O que é o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário?

É um índice trimestral do idealista, calculado a partir de um inquérito a profissionais do imobiliário em Portugal. Mede a satisfação e as previsões do setor para a compra e venda e para o arrendamento de casas, numa escala de 0 a 100.

Os preços das casas vão descer?

O índice não indica uma descida generalizada. Mais de metade dos agentes espera preços estáveis até dezembro, um em cada quatro prevê subidas e 12,2% espera descidas. São expectativas, não previsões oficiais.

As rendas vão continuar a subir?

As rendas pedidas subiram 6,1% em setembro face a um ano antes, segundo o idealista. A maioria dos agentes espera estabilidade até ao fim do ano, com uma parte igual a prever subidas e descidas.

O crédito à habitação vai ficar mais caro?

Ninguém o sabe com certeza. A taxa média dos novos créditos subiu cinco meses seguidos até agosto e a Euribor subiu a 19 de outubro em todos os prazos. O Banco Central Europeu volta a reunir-se a 28 e 29 de outubro.

Fontes

Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou jurídico. Os valores do índice refletem expectativas de profissionais do setor e não previsões oficiais. Informação atualizada a 19 de outubro de 2026.