Previsões do mercado imobiliário 2027: preços e Euribor

As previsões para 2027 apontam para preços das casas a subir mais devagar, mas sem descer: a S&P Global Ratings prevê uma subida de 5,5% em Portugal em 2027, depois de cerca de 10% em 2026. Ao mesmo tempo, o crédito ficou mais caro e mais exigente: a Euribor a 12 meses está acima de 3% e a taxa de esforço máxima desceu para 45%.
Os preços das casas vão subir em 2027?
Sim, segundo as previsões disponíveis. Em julho de 2026, a S&P Global Ratings reviu em alta as contas para Portugal: subiu em 3 pontos percentuais a previsão para 2026, para +10%, e prevê +5,5% para 2027. Para os anos seguintes, aponta para +5,0% por ano.
Portugal deve continuar a valorizar acima da média europeia. Para a Europa, a S&P prevê cerca de +4% em 2026 e mais de 3% em 2027.
| Ano | Portugal | Europa |
|---|---|---|
| 2026 | +10% | cerca de +4% |
| 2027 | +5,5% | mais de +3% |
| 2028 | +5,0% | sem dados |
| 2029 | +5,0% | sem dados |
Há uma ressalva. Num cenário alternativo, mais favorável, com petróleo e gás mais baratos, a S&P contava com juros a descer mais depressa do que a inflação entre 2026 e 2027. Desde então, o Banco Central Europeu (BCE) subiu os juros uma vez, em setembro, por isso a previsão para 2027 pode vir a ser revista.
A falta de casas à venda é o principal motivo para ninguém prever uma descida: a procura continua acima da oferta.
Quanto subiram os preços das casas em 2026?
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços da Habitação subiu 16,5% no 2.º trimestre de 2026 face ao mesmo período de 2025. É uma subida forte, mas já mais lenta: no 1.º trimestre tinha sido de 17,8%. Foi o segundo trimestre seguido a abrandar.
As casas usadas continuam a subir mais do que as novas. Face ao trimestre anterior, as usadas subiram 3,6% e as novas 3,5%.
| Indicador (INE) | Período | Variação anual |
|---|---|---|
| Índice de Preços da Habitação (total) | 2.º trim. 2026 | +16,5% |
| Casas usadas | 2.º trim. 2026 | +18,0% |
| Casas novas | 2.º trim. 2026 | +12,3% |
| Preço mediano por m² (2.337 €/m²) | 1.º trim. 2026 | +19,8% |
Os "quase 20%" que se leem nas notícias referem-se ao preço mediano por metro quadrado das casas vendidas no 1.º trimestre de 2026, não ao índice de preços.
Há risco de o mercado imobiliário cair em 2027?
O que está a cair é o número de casas vendidas, não os preços. No 2.º trimestre de 2026 venderam-se 40.142 casas, menos 6,4% do que um ano antes. Mas o valor total dessas vendas subiu 4,2%, para 10,7 mil milhões de euros. Vendem-se menos casas, mas mais caras.
Também há menos compradores de fora: as pessoas com morada fiscal fora de Portugal compraram 1.890 casas no 2.º trimestre, 4,7% do total e menos 10,3% do que um ano antes.
Do lado da oferta, o licenciamento de casas novas aumentou no 2.º trimestre de 2026. Ainda assim, uma casa licenciada hoje demora a chegar ao mercado, por isso não deve mudar o equilíbrio entre oferta e procura já em 2027.
Os riscos existem: juros mais altos, crédito mais apertado e a incerteza do conflito no Médio Oriente. Mas apontam para um abrandamento, não para uma queda. Se quer perceber em que condições os preços poderiam descer, leia a nossa análise sobre se o mercado imobiliário vai cair em Portugal.
O que se espera da Euribor em 2027?
O ciclo de juros inverteu-se em 2026. Depois de 8 descidas e de 7 reuniões seguidas sem mexer, o BCE subiu os juros em 25 pontos base em junho de 2026, a primeira subida desde setembro de 2023. Em julho não mexeu. A 10 de setembro voltou a subir 25 pontos base, porque o conflito no Médio Oriente está a pressionar a inflação, que deve ficar acima do objetivo de 2% durante muito tempo.
| Taxa do BCE | Até 15/09/2026 | Desde 16/09/2026 |
|---|---|---|
| Taxa de depósito | 2,25% | 2,50% |
| Taxa de refinanciamento | 2,40% | 2,65% |
| Taxa de cedência de liquidez | 2,65% | 2,90% |
A Euribor acompanhou. A 15 de outubro de 2026, os valores eram estes:
| Prazo | Euribor a 15/10/2026 |
|---|---|
| 3 meses | 2,636% |
| 6 meses | 2,954% |
| 12 meses | 3,217% |
A Euribor a 6 meses é a mais usada em Portugal nos créditos com taxa variável. A Euribor a 12 meses teve uma média de 2,187% em outubro de 2025 e de 3,247% em setembro de 2026: cerca de 1 ponto percentual a mais num ano.
Para 2027, tudo depende do BCE. Em setembro, o mercado contava com mais uma subida em dezembro e outra em março. Há quem ache este cenário demasiado agressivo: há analistas que apontam 2,5% como o limite de cima da zona "neutra" dos juros, que é precisamente onde está hoje a taxa de depósito. A próxima reunião do BCE está marcada para 29 de outubro de 2026.
Na prática: se o BCE subir mais, a Euribor tende a subir; se parar, tende a estabilizar perto dos valores atuais. Com os dados de hoje, não há motivo para contar com uma descida da Euribor no início de 2027.
Quanto custa hoje um crédito à habitação?
Segundo o Banco de Portugal, a taxa média das novas operações de crédito à habitação foi de 3,00% em agosto de 2026. Foi o 5.º mês seguido a subir e o valor mais alto desde abril de 2025.
- Taxa mista: 87% dos novos empréstimos, com uma taxa média de 2,86%.
- Taxa variável: taxa média de 3,23%.
- Zona euro: taxa média de 3,6%. Portugal tem a 4.ª taxa média mais baixa.
Veja o que isto significa num empréstimo de 200.000 €. São valores aproximados, sem seguros nem comissões:
| Taxa de juro | Prazo | Prestação mensal aproximada |
|---|---|---|
| 2,00% | 35 anos | 663 € |
| 3,00% | 35 anos | 770 € |
| 3,00% | 40 anos | 716 € |
Uma subida de 1 ponto percentual na taxa, parecida com a que a Euribor teve no último ano, aumenta a prestação em cerca de 107 € por mês neste exemplo. Esticar o prazo para 40 anos baixa a prestação, mas faz pagar mais juros no total.
O que mudou nas regras do crédito à habitação?
Desde 1 de agosto de 2026, os bancos aplicam a nova Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal. As principais mudanças:
- Taxa de esforço máxima de 45% (antes era 50%). É a parte do rendimento líquido que pode ir para prestações de créditos.
- Prazo máximo de 40 anos para quem tem 35 anos ou menos, e de 35 anos para quem tem mais de 35.
- A locação financeira de imóveis deixou de estar abrangida.
Houve também alterações às regras do LTV, a relação entre o valor do empréstimo e o valor da casa: acabou a exceção que deixava os bancos financiar 100% dos imóveis que eles próprios detinham, aplica-se o regime geral de 90% para habitação própria permanente e 80% para outras finalidades, e o LTV passa a contar sobre o menor valor entre o preço de compra e a avaliação.
Em termos simples, a taxa de esforço de 45% pesa. No exemplo acima, uma prestação de 770 € corresponde a 45% de um rendimento líquido de cerca de 1.711 € por mês, sem outros créditos. Com o limite antigo de 50%, seriam cerca de 1.540 €. Estes valores são apenas indicativos: o Banco de Portugal mantém a taxa de stress, ou seja, a taxa de esforço é calculada com um agravamento da taxa de juro e não com a prestação atual, por isso o rendimento exigido é maior. Antes de procurar casa, calcule quanto pode pedir ao banco com as novas regras.
A garantia pública para jovens continua em 2027?
Ainda não é certo. A garantia do Estado cobre contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. O relatório da proposta de Orçamento do Estado para 2027 prevê que continue, mas o ministro das Finanças admitiu que a decisão de a prolongar ainda não foi tomada formalmente.
As regras em vigor em 2026 são estas:
- Ter até 35 anos e morada fiscal em Portugal.
- Não ter outra casa.
- Rendimento coletável abaixo de 86.634 € (8.º escalão de IRS em 2026).
- Não ter dívidas às Finanças nem à Segurança Social.
- Financiamento até 100% da casa, com teto de 450.000 € para o valor da casa; o Estado garante até 15% do empréstimo.
A medida tem tido muita procura. Saiba mais sobre como funciona o crédito habitação a 100% com garantia do Estado.
A isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens até 35 anos na compra da primeira habitação própria e permanente continua em vigor em 2026. A proposta de OE 2027 mantém a isenção e sobe os escalões 2,3%, com a isenção total a ir até 338.141 €, mas isso só fica garantido quando o orçamento for aprovado.
Vale a pena comprar casa agora ou esperar por 2027?
Depende da sua situação, mas esperar por preços mais baixos não tem apoio nas previsões. Se a S&P acertar, uma casa de 250.000 € hoje custará cerca de 263.750 € daqui a um ano. Ao mesmo tempo, a Euribor pode continuar a subir se o BCE mantiver o rumo.
- Pode fazer sentido comprar já se tem a entrada, uma taxa de esforço confortável abaixo dos 45% e pensa ficar na casa muitos anos.
- Pode fazer sentido esperar se precisa de juntar mais dinheiro para a entrada ou se a prestação o deixaria perto do limite.
- Se tem até 35 anos e conta com a garantia pública, um contrato celebrado até 31 de dezembro de 2026 está coberto pelas regras atuais.
Uma taxa mista dá-lhe alguns anos com prestação fixa, o que protege contra novas subidas da Euribor. É a escolha da grande maioria dos novos créditos. Para uma análise mais detalhada, leia se deve comprar casa agora ou esperar.
O que significa para quem quer vender casa?
Os preços continuam a subir, mas há menos vendas e o crédito está mais apertado. Isso quer dizer que menos compradores conseguem pagar valores muito acima do mercado. Uma casa com preço bem ajustado continua a vender; uma casa sobrevalorizada tende a ficar mais tempo à venda.
Antes de pôr a casa no mercado, peça uma avaliação gratuita da sua casa com base nas vendas recentes da sua zona.
Perguntas frequentes
As casas vão baixar de preço em 2027?
Nenhuma das previsões conhecidas aponta para uma descida. A S&P prevê uma subida de 5,5% em Portugal em 2027, mais lenta do que em 2026.
Qual é a previsão da Euribor para 2027?
Não há uma previsão oficial. Em setembro de 2026, o mercado contava com mais subidas do BCE em dezembro e março, o que tende a manter a Euribor perto ou acima dos valores atuais, à volta de 3% no prazo de 12 meses.
Qual é a taxa de esforço máxima no crédito à habitação?
É de 45% do rendimento líquido para os pedidos avaliados desde 1 de agosto de 2026. Antes era de 50%.
A garantia do Estado para jovens acaba em 2026?
Cobre contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. A proposta de OE 2027 prevê que continue, mas o prolongamento só fica garantido quando o orçamento for aprovado e publicado.
Quanto subiram as casas no último ano?
Segundo o INE, o índice de preços da habitação subiu 16,5% no 2.º trimestre de 2026 face ao ano anterior: 18,0% nas casas usadas e 12,3% nas novas.
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