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Comprar casa agora ou esperar? Euribor e preços em 2026

Se já encontrou a casa certa, tem a entrada poupada e a prestação cabe no orçamento mesmo com juros mais altos, comprar agora tende a ser mais sensato do que esperar por uma descida de preços ou de juros que ninguém consegue garantir. Esperar só faz sentido se ainda não tem poupança, se o rendimento não é estável ou se a prestação o deixaria sem margem. Com a Euribor a 6 meses perto dos 2,9% em outubro de 2026, a resposta depende mais das suas contas do que das previsões do mercado.

O que mudou nos juros em 2026?

O choque energético provocado pela guerra no Médio Oriente empurrou a inflação da zona euro outra vez para cima dos 3%. O BCE reagiu com duas subidas das taxas diretoras, em junho e em setembro de 2026. Foram as primeiras subidas desde 2023. Em julho, as taxas ficaram como estavam.

Taxa do BCEAntes de junho de 2026Depois de junho de 2026Depois de 10 de setembro de 2026
Taxa de depósito2,00%2,25%2,50%
Taxa de refinanciamento2,15%2,40%2,65%
Taxa de cedência de liquidez2,40%2,65%2,90%

Na decisão de 10 de setembro, o BCE subiu as três taxas em 0,25 pontos. Justificou a subida com as pressões inflacionistas do conflito no Médio Oriente e com a expectativa de que a inflação fique muito acima do objetivo durante um período alargado.

A lição para quem compra casa é simples: as previsões sobre juros falham com frequência. Por isso, não baseie a decisão numa descida que ainda não aconteceu.

Quanto está a Euribor e porque é que importa?

A Euribor é a taxa de referência dos créditos à habitação com taxa variável e da parte variável dos créditos com taxa mista. A taxa que paga ao banco é a Euribor mais o spread. Desde janeiro de 2024, a Euribor a 6 meses é a mais usada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável.

Prazo da EuriborValor a 13 de outubro de 2026Pico de 25 de setembro de 2026
3 meses2,634%sem dado
6 meses2,905%sem dado
12 meses3,191%3,379%

No fim de setembro, a Euribor a 6 e a 12 meses chegou aos valores mais altos desde 2024. Em outubro, recuou um pouco desde esse pico. Ou seja: comparada com o ano passado, a Euribor está claramente mais alta; olhando só para as últimas semanas, abrandou.

Para medir a subida ao longo do ano, compare as médias mensais. A Euribor a 6 meses teve uma média de 2,713% em agosto de 2026, contra cerca de 2,107% em outubro de 2025. A Euribor a 3 meses seguiu o mesmo caminho: média de 2,425% em julho e de 2,513% em agosto de 2026.

Quanto aumenta a prestação com a Euribor atual?

Um exemplo ajuda a perceber o impacto. Imagine um empréstimo de 150 000 € a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses, com spread de 1%. Os valores são aproximados e não incluem seguros nem comissões.

CenárioEuribor a 6 mesesTaxa (TAN)Prestação mensal
Euribor a 2%2,000%3,000%632 €
Média de agosto de 20262,713%3,713%692 €
Valor de 13 de outubro de 20262,905%3,905%708 €
Euribor acima de 3%3,070%4,070%722 €
Teste: mais 1 ponto do que em outubro3,905%4,905%797 €

Neste exemplo, cada subida de 0,25 pontos na Euribor acrescenta cerca de 21 € por mês à prestação. Entre o cenário de 2% e o valor de outubro, a diferença é de cerca de 76 € por mês, mais de 900 € por ano. Num empréstimo maior, o aumento é proporcionalmente maior.

A última linha da tabela é a mais útil para decidir. Se a prestação de um cenário com mais 1 ponto de Euribor lhe tira o sono, o problema não é o momento do mercado: é o valor da casa ou do empréstimo. Faça a conta com o seu valor, prazo e spread no simulador de prestação do crédito habitação.

Os preços das casas vão descer por causa dos juros?

Não há garantia. Os preços das casas em Portugal estão em valores historicamente altos. Juros mais altos reduzem o valor que as famílias conseguem pedir ao banco, e isso pode abrandar a subida dos preços. Mas os preços também dependem do número de casas à venda, da procura em cada zona e do emprego.

Esperar tem riscos dos dois lados. Se os preços continuarem a subir, a mesma casa pode custar mais daqui a um ano. Se os juros descerem, mais compradores voltam a conseguir crédito e a concorrência pelas mesmas casas aumenta. Há anos que muitos compradores esperam por uma descida que não chega, como explicámos na análise sobre se os preços das casas em Portugal vão cair.

Há ainda uma diferença importante entre preço e juro. O crédito pode ser renegociado mais tarde, se as condições melhorarem. O preço que paga pela casa fica fechado na escritura. Por isso, concentre a negociação no preço da casa concreta que quer comprar, em vez de esperar que o mercado o faça por si.

Quando faz sentido comprar agora?

Comprar agora é uma boa decisão quando a maioria destes pontos se aplica ao seu caso:

  • Encontrou uma casa que serve as necessidades da família durante vários anos.
  • Tem a entrada e o dinheiro para impostos, escritura e registo sem esgotar a poupança.
  • A prestação continua confortável no cenário de teste, com mais 1 ponto de Euribor.
  • Paga uma renda igual ou superior à prestação que teria com o crédito.
  • Pode usar um apoio público à compra, como a garantia pública para jovens.

Nestes casos, adiar custa dinheiro todos os meses e não lhe dá nenhuma certeza de melhores condições no futuro.

Quando é melhor esperar?

Há boas razões para adiar a compra, e nenhuma delas tem a ver com adivinhar o mercado:

  • Ainda não tem a entrada nem um fundo de emergência.
  • O rendimento não é estável ou vai mudar de emprego em breve.
  • A prestação só cabe no orçamento se tudo correr bem.
  • Não sabe em que cidade ou zona quer viver nos próximos anos.

Esperar por estes motivos é prudência. Esperar só para acertar no momento certo dos preços ou dos juros é uma aposta, e raramente quem compra casa para viver ganha com ela.

Taxa fixa, mista ou variável: qual escolher com a Euribor a subir?

Com os juros em movimento, o tipo de taxa pesa tanto como o spread. Cada opção resolve um problema diferente:

  • Taxa variável: acompanha a Euribor. Sobe quando a Euribor sobe e desce quando ela desce. É a opção para quem tem folga no orçamento e aceita oscilações.
  • Taxa fixa: a prestação fica igual durante o período contratado. Protege de novas subidas, mas não beneficia se os juros descerem.
  • Taxa mista: fixa nos primeiros anos e variável depois. Dá estabilidade no início do crédito, quando a dívida é maior.

Para comparar propostas, use a TAEG e não só a prestação do primeiro mês. A TAEG inclui seguros e comissões que mudam o custo real do empréstimo.

Quanto ao futuro dos juros, há um sinal a ter em conta: um responsável do BCE indicou 2,5% como o limite superior da chamada zona neutra. A partir daí, novas subidas passariam a travar a economia. Com a taxa de depósito já nos 2,50%, o espaço para mais subidas pode ser limitado, mas isto não é uma promessa do BCE.

Que apoios e regras contam para a decisão?

IMT Jovem

Quem tem até 35 anos pode estar isento de IMT e de Imposto do Selo na compra de casa, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 48-A/2024, dentro de limites de valor e com condições. Esta poupança reduz o dinheiro que precisa de ter no dia da escritura. Veja os detalhes no artigo sobre isenção de IMT e apoios aos jovens na compra de casa.

Garantia pública para jovens

O Decreto-Lei n.º 44/2024 criou uma garantia do Estado que pode cobrir até 15% do valor da casa, o que ajuda quem não tem a entrada toda. O prazo original termina a 31 de dezembro de 2026. Se não for prolongada, é uma razão concreta para não adiar a compra.

Regras do Banco de Portugal para o crédito

Os bancos seguem limites definidos pelo Banco de Portugal: financiam até 90% do valor na habitação própria permanente, as prestações não devem passar 50% do rendimento, o prazo máximo depende da idade e o banco testa se aguenta uma subida dos juros. Na prática, com juros mais altos, o mesmo rendimento dá acesso a um empréstimo menor.

Como preparar a compra com juros mais altos?

  1. Saiba quanto pode pedir. Parta do seu rendimento e das despesas fixas, não do preço da casa que gostava de comprar.
  2. Teste a prestação. Calcule-a com a Euribor atual e com mais 1 ponto. Se o segundo valor não cabe no orçamento, reduza o valor do empréstimo.
  3. Conte com os custos de compra. IMT, Imposto do Selo, escritura e registo somam-se à entrada. Calcule-os no simulador de custos de compra de casa.
  4. Compare vários bancos. Peça propostas com spread, TAEG, seguros e comissões, e compare taxa variável, mista e fixa.
  5. Negoceie o preço. Compare casas semelhantes na mesma zona nas casas à venda antes de fazer uma proposta.
  6. Guarde uma reserva. Depois da escritura, mantenha poupança para alguns meses de prestação e para imprevistos.

Perguntas frequentes

Vale a pena comprar casa em 2026?

Vale, se a casa serve as suas necessidades durante vários anos e a prestação aguenta uma subida da Euribor. Se as contas só funcionam no melhor cenário, é preferível esperar e reforçar a poupança.

A Euribor vai continuar a subir?

Ninguém sabe ao certo. O BCE subiu as taxas em junho e em setembro de 2026 por causa da inflação, e em outubro a Euribor recuou um pouco desde o pico de setembro. A próxima reunião do BCE, a 28 e 29 de outubro de 2026, dará mais pistas.

Quanto sobe a prestação se a Euribor subir 0,25 pontos?

Num empréstimo de 150 000 € a 30 anos com spread de 1%, cerca de 21 € por mês. Em empréstimos maiores, a subida é proporcionalmente maior.

Qual é a Euribor mais usada em Portugal?

A Euribor a 6 meses, desde janeiro de 2024. A 14 de outubro de 2026 estava em 2,924%.

É melhor arrendar enquanto espero?

Só se a renda for claramente mais baixa do que a prestação e conseguir poupar a diferença. Se a renda é igual ou superior à prestação, esperar custa-lhe dinheiro todos os meses sem construir património.

Antes de decidir, use o simulador de capacidade de compra para saber quanto pode pedir ao banco e peça à equipa de intermediação de crédito habitação da K-Invest que compare por si as propostas de vários bancos.

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