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Garantia pública e IMT jovem 2026: prazo e quem pode usar

A garantia pública para jovens só cobre contratos de crédito à habitação celebrados até 31 de dezembro de 2026. Para a usar, tem de ter entre 18 e 35 anos, cumprir os restantes requisitos e assinar o contrato de crédito antes dessa data. Já a isenção de IMT jovem não tem data de fim e continua a aplicar-se depois de 2026.

As duas medidas existem desde 2024 e são as mais usadas por quem compra a primeira casa. Têm regras diferentes, e só uma delas tem prazo.

O que acaba a 31 de dezembro de 2026?

Acaba a garantia do Estado ao crédito à habitação de jovens. A regra conta a data do contrato de crédito, não a da escritura. Na prática, o contrato de crédito e a escritura de compra são quase sempre assinados no mesmo dia. Por isso, na maioria dos casos, a escritura tem de acontecer até 31 de dezembro.

A isenção de IMT e de Imposto do Selo para jovens, conhecida como IMT jovem, não acaba. Está no Código do IMT, sem prazo, e os seus limites têm sido atualizados no Orçamento do Estado.

Quem ainda pode usar a garantia pública?

Pode pedir a garantia se, à data do contrato de crédito, cumprir todos estes requisitos:

  • ter entre 18 e 35 anos (inclusive);
  • ter domicílio fiscal em Portugal;
  • não ser dono, nem em parte, de um prédio urbano ou fração destinada a habitação;
  • nunca ter usado a garantia;
  • ter rendimentos até ao limite do 8.º escalão do IRS, que em 2026 é de 86.634 €;
  • não ter dívidas às Finanças nem à Segurança Social.

A casa também tem de cumprir regras. Tem de ser a primeira habitação própria e permanente, já construída, com valor até 450.000 €. A garantia não serve para construção nem obras.

Atenção à idade: conta a data do contrato. Se fizer 36 anos em novembro, tem de assinar antes do aniversário, mesmo que o prazo geral só termine a 31 de dezembro.

O banco vai pedir-lhe prova de que não tem dívidas. Pode tratar disso já, com a declaração de não dívida nas Finanças e na Segurança Social, que se pede online.

Como funciona a garantia do Estado?

Os bancos financiam, em regra, no máximo 90% do valor da casa, e o comprador tem de ter o resto como entrada. Com a garantia, o Estado garante até 15% do valor, o que permite ao banco financiar até 100%.

  • A garantia dura no máximo 10 anos.
  • Continua a dever ao banco o valor total do empréstimo, com juros.
  • A decisão de aprovar o crédito é sempre do banco.
  • Os 100% referem-se ao valor da casa. Impostos, escritura e registo ficam por sua conta (o IMT jovem pode reduzir ou eliminar parte destes custos).

Exemplo: numa casa de 250.000 €, sem garantia o banco empresta no máximo 225.000 € e precisa de 25.000 € de entrada. Com garantia, pode pedir até 250.000 €. O processo completo está explicado no guia sobre crédito habitação a 100% com garantia do Estado.

Ainda há verba nos bancos para a garantia?

A garantia tem uma verba total, repartida por quotas entre os bancos aderentes. Até março de 2026 essa verba era de 1.550 milhões de euros, e vários bancos pediram reforço das suas quotas. Em abril de 2026, o Governo reforçou-a em 750 milhões, para um total de 2,3 mil milhões de euros. Em setembro de 2026, um novo reforço de 100 milhões elevou a verba total para 2,4 mil milhões de euros.

No fim de junho de 2026 estavam usados cerca de 1.146 milhões de euros. A meio do ano havia, portanto, margem na verba total. Mas cada banco gere a sua quota e, se a esgotar, pode deixar de aprovar créditos com garantia. Pergunte logo no primeiro contacto se o banco ainda tem quota disponível.

A garantia pública vai ser prolongada em 2027?

Por agora, não há prolongamento aprovado. A Proposta de Orçamento do Estado para 2027, entregue a 8 de outubro de 2026, não prolonga a garantia. O relatório diz apenas que «manter-se-á a garantia pública», o que é uma intenção política e não uma lei.

Para a garantia continuar depois de 31 de dezembro é preciso um diploma próprio, que ainda não existe. O ministro das Finanças admitiu que a decisão final ainda não foi tomada. E, mesmo que haja prolongamento, não se sabe se o prazo, os limites e a verba ficam iguais.

Há outro fator. Em abril de 2026, o Banco de Portugal admitiu apertar as regras do crédito à habitação, depois de avisar que o crédito de risco elevado se multiplicou por sete entre 2024 e 2025. As novas regras estão em vigor desde 1 de agosto de 2026: o limite da taxa de esforço desceu de 50% para 45% e o limite de financiamento de 90% manteve-se. Se o seu plano depende de financiar 100%, contar com um prolongamento é um risco.

Quantos jovens já usaram o IMT jovem e a garantia?

Em janeiro de 2026, o ministro das Finanças disse que cerca de 70 mil jovens tinham usado a isenção de IMT e 23 mil a garantia. Os números mais recentes são mais altos:

MedidaPeríodoNúmeros
IMT jovemAgosto de 2024 a fevereiro de 2026Mais de 77 mil jovens e 52.649 casas
IMT jovemAno de 202560.947 jovens, 41.370 casas, preço médio de 205,7 mil €, poupança média de 6,3 mil € por casa
Garantia públicaAno de 202525,5 mil contratos, 5,1 mil milhões de euros
Garantia pública1.º trimestre de 2026Cerca de 6,9 mil contratos
Garantia pública2.º trimestre de 20267,8 mil contratos, 1,7 mil milhões de euros

O relatório do OE2027 refere que as duas medidas, juntas, já beneficiaram quase 120 mil jovens, sem separar quem usou ambas.

Como funciona a isenção de IMT jovem em 2026?

A isenção aplica-se desde 1 de agosto de 2024. Para os limites, conta o valor mais alto entre o preço e o valor patrimonial tributário (VPT). Em 2026, as regras são estas:

Valor da casaO que paga
Até 330.539 €Nada: isenção total de IMT, Imposto do Selo e emolumentos de registo
De 330.539 € a 660.982 €8% de IMT e 0,8% de Imposto do Selo, só sobre a parte acima de 330.539 €
Acima de 660.982 €Sem isenção: paga IMT e Imposto do Selo pelas regras gerais

Para comparar: sem o IMT jovem, uma habitação própria e permanente só está isenta de IMT até 106.346 € em 2026. O limite da isenção total era de 316.772 € em 2024 e de 324.058 € em 2025 (com isenção parcial até 648.022 €).

A Proposta de OE2027 prevê subir o limite da isenção total para 338.141 € e o da parcial para 676.185 €. Só se aplica a compras a partir de 2027 e se o Orçamento for aprovado; a votação final está marcada para 24 de novembro de 2026.

Quem tem direito ao IMT jovem?

  • Ter até 35 anos (inclusive) na data da compra.
  • Comprar a primeira habitação própria e permanente.
  • Não ser considerado dependente na declaração de IRS.
  • Não ter sido dono de uma habitação nos três anos anteriores.

Não há limite de rendimento nem é preciso ter nacionalidade portuguesa. Mas, desde 25 de maio de 2026, quem não é residente fiscal em Portugal paga sempre 7,5% de IMT na compra de habitação, sem IMT jovem (Decreto-Lei n.º 97/2026). Há três exceções: já ter sido residente fiscal em Portugal, tornar-se residente nos 2 anos seguintes à compra ou arrendar a casa a renda moderada. Nos dois últimos casos, paga os 7,5% e pode pedir a anulação da diferença no prazo de 6 meses. Veja os pormenores na tabela de IMT 2026.

E se comprar casa a dois?

Se os dois compradores cumprirem os requisitos, ambos ficam isentos nas suas quotas. Se só um for elegível, por exemplo porque o outro tem 37 anos, a isenção cobre apenas a quota do mais novo, e o outro paga sobre a sua parte.

Quanto paga numa casa acima de 330.539 €?

Na isenção parcial, paga 8% de IMT e 0,8% de Imposto do Selo apenas sobre a parte que passa de 330.539 €. Exemplos para um comprador com direito a IMT jovem, em 2026:

Valor da casaParte acima de 330.539 €IMT (8%)Imposto do Selo (0,8%)Total
300.000 €0 €0 €0 €0 €
400.000 €69.461 €5.557 €556 €6.113 €
500.000 €169.461 €13.557 €1.356 €14.913 €

Valores arredondados ao euro. Acima de 660.982 € não há isenção e o imposto calcula-se pelas taxas gerais. Para ver o seu caso, com escritura e registo incluídos, use o simulador de IMT e custos de compra de casa.

Pode juntar a garantia pública e o IMT jovem?

Sim. São medidas independentes e pode usar as duas na mesma compra, desde que cumpra os requisitos de cada uma. As regras, porém, não são iguais:

Garantia públicaIMT jovem
Idade18 a 35 anosAté 35 anos
PrazoContratos de crédito até 31/12/2026Sem data de fim
Valor da casaAté 450.000 €Total até 330.539 €; parcial até 660.982 €
RendimentosAté ao 8.º escalão do IRS (86.634 €)Sem limite
ResidênciaDomicílio fiscal em PortugalResidência fiscal em Portugal (com exceções)
O que dáFinanciamento até 100%Isenção de IMT, Imposto do Selo e registo

Exemplo: uma jovem de 30 anos compra uma casa de 300.000 € em dezembro de 2026. Com a garantia, o banco pode financiar até 300.000 €, em vez de 270.000 €. Com o IMT jovem, não paga IMT, Imposto do Selo nem emolumentos de registo. Se a escritura passar para janeiro de 2027, mantém o IMT jovem, mas perde a garantia caso não haja prolongamento e tem de juntar pelo menos 30.000 € de entrada.

O que fazer para comprar com garantia até ao fim do ano?

  1. Confirme que cumpre todos os requisitos, incluindo a idade à data prevista do contrato.
  2. Calcule quanto pode pedir ao banco com o seu rendimento, antes de escolher casa.
  3. Peça a aprovação do crédito com garantia a mais do que um banco e confirme se ainda têm quota.
  4. Escolha uma casa já construída, até 450.000 €, e faça a proposta e o contrato-promessa com uma data de escritura anterior a 31 de dezembro.
  5. Preveja no contrato-promessa o que acontece ao sinal se o crédito não for aprovado a tempo.
  6. Junte poupanças para os custos que o banco não financia: impostos (se a casa passar os limites), escritura, avaliação bancária e seguros.
  7. Marque a escritura com margem: dezembro tem feriados e férias, e um atraso de poucos dias pode fazê-lo perder a garantia.

Perguntas frequentes

A garantia pública acaba mesmo a 31 de dezembro de 2026?

Sim, segundo a lei em vigor. Só cobre contratos de crédito celebrados até essa data. O Governo fala em manter a medida, mas ainda não há diploma a prolongá-la.

O IMT jovem também acaba em 2026?

Não. A isenção está no Código do IMT, sem data de fim. Em 2026 é total até 330.539 € e parcial até 660.982 €.

Quem tem mais de 35 anos pode ter IMT jovem se comprar com alguém mais novo?

Não. A isenção cobre só a quota do comprador com até 35 anos. Quem tem mais idade paga IMT e Imposto do Selo sobre a sua parte.

Há limite de rendimento para o IMT jovem?

Não. O limite do 8.º escalão do IRS (86.634 € em 2026) aplica-se apenas à garantia pública.

Preciso de viver em Portugal para ter estas ajudas?

Para a garantia pública, tem de ter domicílio fiscal em Portugal. Para o IMT jovem, desde 25 de maio de 2026 tem de ser residente fiscal em Portugal, salvo se já o tiver sido, se passar a sê-lo nos 2 anos seguintes à compra ou se arrendar a casa a renda moderada. Nestes dois últimos casos, paga primeiro 7,5% de IMT e pede depois a anulação da diferença.

Se quer comprar com garantia pública ainda em 2026, fale com a equipa de intermediação de crédito habitação da K-Invest: ajudamos a comparar propostas de vários bancos e a preparar o processo a tempo do prazo.

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