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Mercado da habitação em setembro de 2026: preços e juros

A avaliação bancária mediana em Portugal foi de 2 278 €/m² em setembro, mais 14,2 % do que um ano antes. Os dados das vendas e as médias mensais da Euribor completam o retrato do mercado.

Telhados e prédios residenciais de uma cidade portuguesa ao fim da tarde

Em setembro de 2026, a avaliação bancária mediana da habitação em Portugal foi de 2 278 €/m², mais 1,1 % do que em agosto e 14,2 % acima do valor de setembro de 2025. No mesmo retrato mensal, a Euribor a 6 meses registou uma média de 2,975 % em outubro.

Neste artigo (6)
  1. Quanto vale o metro quadrado em Portugal?
  2. Onde subiu mais e onde subiu menos?
  3. Quanto custa o metro quadrado nas maiores cidades?
  4. A que preço se venderam as casas?
  5. O que aconteceu aos juros?
  6. O que significa para quem compra ou vende?

Quanto vale o metro quadrado em Portugal?

O Inquérito à avaliação bancária do INE mede o valor atribuído pelos bancos aos imóveis avaliados para crédito. Não corresponde automaticamente ao preço pedido pelo vendedor nem ao valor final de uma transação. A tabela mostra a mediana nacional e por região, bem como as variações publicadas pelo INE para setembro.

Zona€/m²Variação num mêsVariação num ano
Portugal2 278+1,1 %+14,2 %
Norte1 956+1,2 %+15,7 %
Centro1 438+1,1 %+13,7 %
Oeste e Vale do Tejo1 828+1,6 %+17,5 %
Grande Lisboa3 452+1,1 %+15,3 %
Península de Setúbal2 845+0,7 %+18,4 %
Alentejo1 422-0,9 %+10,3 %
Algarve2 953+0,6 %+10,4 %
Região Autónoma dos Açores1 624-3,2 %+12,9 %
Região Autónoma da Madeira2 642+0,6 %+14,3 %

As variações anuais são positivas em todas as regiões incluídas, mas o movimento de um mês não foi uniforme: no Alentejo e nos Açores, a avaliação mediana desceu face a agosto. Os indicadores descrevem o conjunto de imóveis avaliados em cada zona; não substituem a análise de uma casa concreta, cuja localização, estado e características também pesam na avaliação.

Onde subiu mais e onde subiu menos?

Entre os concelhos da tabela da avaliação bancária, Beja apresentou a maior variação anual, com +22,1 %, seguida de Vila Nova de Gaia, com +19,6 %, e Ponta Delgada, com +18,1 %. No extremo inferior da lista, Lagos registou +5,7 %, Lisboa +7,8 % e Albufeira +8,1 %. São comparações das variações anuais publicadas, não uma previsão para os próximos meses nem uma indicação do preço de cada imóvel.

Quanto custa o metro quadrado nas maiores cidades?

Os valores seguintes são medianas da avaliação bancária em concelhos urbanos destacados no conjunto divulgado. Servem para comparar áreas, mas não determinam o valor de uma casa em particular.

Concelho€/m²Variação num mêsVariação num ano
Lisboa4 779+0,2 %+7,8 %
Porto3 346+0,4 %+8,2 %
Sintra3 017+0,9 %+17,3 %
Cascais4 048+0,5 %+11,1 %
Amadora3 367+0,3 %+17,8 %
Oeiras4 004-1,4 %+10,3 %
Almada3 254+0,4 %+16,5 %
Vila Nova de Gaia2 440+0,3 %+19,6 %
Braga2 044+0,1 %+16,7 %
Funchal3 037+4,3 %+16,6 %

A que preço se venderam as casas?

O indicador local de preços do INE aponta para uma mediana de 2 493 €/m² nas casas vendidas em Portugal no segundo trimestre de 2026, mais 19,3 % do que no mesmo trimestre de 2025. Trata-se de uma estatística trimestral, referente a transações de habitação realizadas por famílias. A avaliação bancária de setembro não é o preço de venda: refere-se a avaliações feitas para crédito e a outro período de observação.

Também entre regiões há diferenças. No Oeste e Vale do Tejo, a mediana das vendas foi 1 959 €/m², com variação anual de +25,7 %; na Grande Lisboa foi 4 073 €/m², com +18,4 %; e no Algarve, 3 509 €/m², com +12,5 %. A comparação tem de respeitar o período e a natureza de cada indicador. Para quem está a preparar uma compra, o guia sobre taxa de esforço ajuda a enquadrar o peso do crédito no orçamento; os impostos da transação podem ser consultados no guia de IMT e Imposto do Selo.

O que aconteceu aos juros?

Nas médias mensais do BCE, a Euribor a 6 meses ficou em 2,975 % em outubro de 2026, contra 2,107 % em outubro de 2025. A Euribor a 12 meses foi 3,239 %, face a 2,187 % um ano antes. A taxa média dos novos créditos à habitação em Portugal, publicada para setembro, situou-se em 3,060 %, comparando com 2,860 % em setembro de 2025.

Uma taxa de referência mais alta pode traduzir-se numa prestação mais pesada para contratos de taxa variável quando ocorre a revisão, mas o efeito depende do contrato, do capital em dívida e do prazo. Os dados agregados não permitem antecipar a prestação de um agregado específico, nem garantem condições futuras.

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O que significa para quem compra ou vende?

Quem compra pode usar os valores regionais como contexto, mas deverá comparar imóveis com características semelhantes e confirmar o orçamento total, incluindo entrada, impostos e custos do crédito. Uma pré-análise bancária e uma simulação com diferentes prazos ajudam a perceber que prestação cabe no orçamento, sem tratar a mediana como avaliação individual.

Quem vende pode encarar as estatísticas como referência de mercado, não como preço garantido para a sua casa. A localização, o estado de conservação e a procura concreta influenciam o valor e o tempo de negociação; uma comparação cuidada com imóveis semelhantes pode ajudar a definir uma estratégia. Para os passos práticos, consulte também o artigo sobre vender casa com ou sem imobiliária.

Os dados deste mês mostram aumentos anuais nas regiões avaliadas, mas a evolução passada não permite prever os preços futuros. Para decidir, importa cruzar a informação pública com as condições do imóvel e a capacidade financeira de cada comprador ou vendedor.

Fontes: INE, Inquérito à avaliação bancária na habitação (indicador 0012248); INE, Estatísticas de preços da habitação ao nível local (indicador 0012240); Banco Central Europeu (Euribor e taxas de juro MIR).