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Imobiliária em Portugal

A casa vale metade do património das famílias, diz o BdP

O Banco de Portugal publicou a 20 de outubro novas contas sobre a distribuição da riqueza das famílias. Os imóveis valiam 708 mil milhões de euros em 2025, quase metade dos ativos, e pesam mais nas famílias com menos património. Explicamos os números e o que significam para quem tem casa.

Casal de reformados sentado à mesa de jantar de um apartamento antigo, a rever pastas com documentos da casa, com a luz da tarde a entrar por uma janela com portadas de madeira

Os imóveis continuam a ser o principal património das famílias portuguesas. Em 2025 valiam 708 mil milhões de euros, 52% de tudo o que as famílias tinham, segundo uma análise que o Banco de Portugal (BdP) divulgou a 20 de outubro. Entre 2010 e 2025, o valor desses imóveis subiu quase 50%, sobretudo por causa da valorização das casas.

Neste artigo (4)
  1. Os principais números
  2. A casa pesa mais em quem tem menos
  3. O que estes números dizem, e o que não dizem
  4. O que significa para quem tem casa

São estatísticas experimentais, que combinam as contas nacionais com o inquérito à situação financeira das famílias. Mostram não só quanto vale o património das famílias, incluindo os imóveis, mas também como se distribui entre quem tem mais e quem tem menos. Resumimos os números e o que dizem a quem é proprietário.

Os principais números

Indicador20102025
Riqueza líquida das famílias (património menos dívidas)716 mil milhões €1 196 mil milhões €
Riqueza líquida em percentagem do PIBcerca de 400%cerca de 390%
Valor dos imóveis das famílias473 mil milhões €708 mil milhões €
Peso dos imóveis nos ativos54%52%
Peso dos depósitos nos ativos16%19%
Peso das participações em capital nos ativos14%19%
Peso do crédito à habitação nas dívidas82%77%
Riqueza líquida mediana por família, Portugal77 mil €104 mil €
Riqueza líquida mediana por família, área do euro106 mil €151 mil €

Fonte: Banco de Portugal. O valor de 2010 da riqueza líquida foi calculado pela K-Invest a partir do aumento de 480 mil milhões de euros indicado pelo BdP; a percentagem do PIB de 2010 resulta da indicação de que a de 2025 ficou dez pontos abaixo.

Três leituras rápidas:

  • A riqueza cresceu ao ritmo da economia. Em valor, subiu 480 mil milhões de euros em 15 anos. Em percentagem do PIB, ficou praticamente estável. O ponto mais baixo foi em 2013, com 656 mil milhões de euros, depois da crise das dívidas soberanas.
  • A casa perdeu algum peso, mas continua à frente. Os imóveis valorizaram, mas os depósitos e as participações em empresas cresceram mais depressa. Por isso, o peso dos imóveis nos ativos desceu de 54% para 52%.
  • A dívida das famílias é sobretudo crédito à habitação. Em 2025, representava 77% do que as famílias deviam.

A casa pesa mais em quem tem menos

O BdP divide as famílias em três grupos: a metade com menos riqueza, os 40% seguintes e os 10% com mais riqueza. Entre 2010 e 2025, os 10% com mais riqueza concentraram 59% da riqueza líquida total, e a metade com menos riqueza ficou com 6%.

A composição do património também muda de grupo para grupo:

  • Nas famílias abaixo da mediana, os imóveis eram cerca de 74% dos ativos em 2025.
  • Nos 10% com mais riqueza, os imóveis eram menos de 40% dos ativos. Neste grupo, as participações em empresas valiam 28%, mais do que os depósitos.
  • Os depósitos representavam entre 17% e 21% dos ativos em todos os grupos.

Há uma particularidade portuguesa. A metade das famílias com menos riqueza detinha, em média, 6,1% da riqueza total em Portugal, contra 4,5% na área do euro. Segundo o BdP, a diferença explica-se pelo peso elevado da casa no património destas famílias.

A riqueza mediana, que divide as famílias em duas metades, subiu de 77 mil para 104 mil euros, mas continua abaixo da área do euro: em 2025 correspondia a 69% do valor europeu (72% em 2010). O índice de Gini, que mede a desigualdade, ficou em 72,6 em Portugal e 73,1 na área do euro.

O que estes números dizem, e o que não dizem

O BdP avisa que se trata de estatísticas experimentais. O valor da habitação acompanha a variação anual do stock de habitação das famílias nas contas nacionais. Não é o preço a que cada casa se venderia hoje, nem o valor patrimonial que conta para o IMI.

Os números também não incluem tudo. Ficam de fora, por exemplo, o numerário, as reservas técnicas de seguros não-vida, as pensões profissionais e os automóveis. E os valores mais recentes dizem respeito a 2025.

O que significa para quem tem casa

Se a casa é a maior parte do seu património, como acontece com muitas famílias, há decisões que pesam mais do que parece:

Se quer saber quanto vale hoje a sua casa ou como encaixa nos seus planos, fale com a equipa de consultoria da K-Invest.

Perguntas frequentes

Quanto vale a habitação das famílias portuguesas?

Segundo o Banco de Portugal, os imóveis das famílias valiam 708 mil milhões de euros em 2025, 52% dos seus ativos. Em 2010 valiam 473 mil milhões de euros.

Porque é que o peso da casa no património desceu, se as casas valorizaram?

Porque outros ativos cresceram mais depressa. Entre 2010 e 2025, o peso dos depósitos subiu de 16% para 19% e o das participações em capital de 14% para 19%. Os imóveis passaram de 54% para 52% dos ativos.

O valor do BdP serve para saber quanto vale a minha casa?

Não. É um valor agregado, calculado a partir das contas nacionais. Para saber quanto vale a sua casa, precisa de uma avaliação do imóvel, que tem em conta a localização, o estado e os preços de venda recentes na zona.

O que é a riqueza líquida mediana?

É o valor que divide as famílias em duas metades iguais: uma com mais riqueza e outra com menos. Em Portugal, foi de 104 mil euros em 2025, contra 151 mil euros na área do euro.

Fontes

Este artigo é informativo e não dispensa aconselhamento financeiro, fiscal ou jurídico para o seu caso. Os dados do Banco de Portugal são estatísticas experimentais e agregadas e não refletem o valor de um imóvel em concreto. Informação atualizada a 21 de outubro de 2026.