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Casas à venda: preço pedido sobe 7,5% e chega a 3 249 €/m²

O preço pedido pelas casas à venda em Portugal chegou a 3 249 €/m² em outubro de 2026, mais 7,5% num ano, segundo o idealista. Lisboa continua a ser a cidade mais cara, mas foi das que menos subiram. Explicamos os números por região e cidade, a diferença entre preço pedido e preço de venda e o que significam para quem compra ou vende.

Vista elevada ao fim da tarde sobre telhados e fachadas de prédios residenciais de várias épocas numa cidade portuguesa, com ruas estreitas e um vale urbano ao fundo

O preço pedido pelas casas à venda em Portugal chegou a 3 249 € por metro quadrado no fim de outubro de 2026, mais 7,5% do que um ano antes, segundo o índice de preços do idealista, divulgado a 2 de novembro. É o valor mais alto da série deste portal. Face a setembro, a subida foi de 0,7%, e de 1,2% face a julho. Lisboa continua a ser a cidade com o preço por metro quadrado mais alto (6 248 €/m²), mas foi das que menos subiram no último ano. Explicamos os números, o que este índice mede e o que significam para si, se está a pensar comprar ou vender.

Neste artigo (5)
  1. Os números de outubro por região
  2. Preços nas capitais de distrito
  3. Os preços sobem, mas a um ritmo menor
  4. Preço pedido não é preço de venda
  5. O que isto significa para si

Os números de outubro por região

Os preços pedidos subiram em todas as regiões face a outubro de 2025. O Alentejo, os Açores e o Centro registaram as subidas mais fortes; o Norte e a Madeira as mais moderadas.

Região Preço pedido (outubro de 2026) Variação anual Variação face a setembro
Portugal 3 249 €/m² +7,5% +0,7%
Área Metropolitana de Lisboa 4 525 €/m² +6,8% +0,6%
Algarve 4 231 €/m² +7,2% +0,3%
Região Autónoma da Madeira 3 779 €/m² +4,2% +0,3%
Norte 2 601 €/m² +3,8% -0,2%
Alentejo 2 228 €/m² +14,3% +1,3%
Região Autónoma dos Açores 2 141 €/m² +13,9% +1,9%
Centro 1 810 €/m² +12,5% +1,4%

Fonte: idealista, relatório de preços de venda, outubro de 2026.

Há duas exceções à tendência de máximos. No Norte, o preço pedido está 2,0% abaixo do valor de abril de 2026 (2 655 €/m²) e desceu 0,8% em três meses. Na Madeira, está 0,6% abaixo do máximo de março. Entre os distritos e ilhas, só o Faial registou uma descida anual (-4,9%).

Preços nas capitais de distrito

O preço pedido subiu nas 20 capitais de distrito e das regiões autónomas analisadas pelo idealista. As subidas foram menores nas cidades mais caras.

Cidade Preço pedido (outubro de 2026) Variação anual
Lisboa 6 248 €/m² +3,9%
Porto 4 339 €/m² +7,0%
Funchal 4 045 €/m² +3,4%
Faro 3 944 €/m² +15,5%
Setúbal 3 227 €/m² +9,0%
Aveiro 2 901 €/m² +9,4%
Évora 2 726 €/m² +10,3%
Ponta Delgada 2 672 €/m² +11,7%
Coimbra 2 479 €/m² +9,5%
Braga 2 379 €/m² +10,2%
Viana do Castelo 2 270 €/m² +6,1%
Leiria 2 028 €/m² +16,9%
Santarém 1 846 €/m² +12,7%
Viseu 1 822 €/m² +12,9%
Beja 1 573 €/m² +17,6%
Vila Real 1 551 €/m² +20,3%
Guarda 1 153 €/m² +18,4%
Bragança 1 147 €/m² +13,3%
Portalegre 1 128 €/m² +6,4%
Castelo Branco 1 119 €/m² +10,5%

Fonte: idealista/news, 2 de novembro de 2026.

Para ter uma ordem de grandeza: aos preços medianos pedidos em outubro, uma casa de 100 m² custaria cerca de 624 800 € em Lisboa, 433 900 € no Porto e 324 900 € na média do país. São contas simples da K-Invest (preço por metro quadrado multiplicado pela área), que não substituem a avaliação de uma casa concreta.

Os preços sobem, mas a um ritmo menor

O preço pedido renovou o máximo, mas a subida anual tem vindo a abrandar ao longo de 2026. Em novembro de 2025, a variação anual era de 14,4%; em outubro de 2026 foi de 7,5%, cerca de metade.

Mês Preço pedido Variação anual
Novembro de 2025 3 063 €/m² +14,4%
Janeiro de 2026 3 112 €/m² +13,0%
Março de 2026 3 174 €/m² +12,1%
Maio de 2026 3 198 €/m² +10,6%
Julho de 2026 3 210 €/m² +8,0%
Setembro de 2026 3 228 €/m² +7,9%
Outubro de 2026 3 249 €/m² +7,5%

Fonte: idealista, histórico de variações de preços de venda.

Na leitura do idealista, o mercado tem menos transações, com preços altos face aos salários, juros a subir e regras de crédito mais apertadas, mas a procura continua acima da oferta disponível, o que mantém os preços a subir. O custo do crédito também conta: segundo o Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação subiu para 3,06% em setembro.

Preço pedido não é preço de venda

Este índice mede o preço que os vendedores pedem nos anúncios publicados no idealista, por metro quadrado de área construída, e usa a mediana dos anúncios válidos. Não mede o preço a que as casas são efetivamente vendidas, que pode ficar abaixo do pedido depois da negociação. Desde julho de 2026, o idealista usa uma metodologia revista (exclui, por exemplo, o arrendamento sazonal e reforça a deteção de valores anómalos), aplicada a toda a série para manter a comparação.

Para ter uma visão completa, convém olhar também para as estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE), que medem outras coisas:

  • Preços das vendas. Com base nas transações declaradas às Finanças, o INE registou um preço mediano de 2 445 €/m² no 2.º trimestre de 2026, mais 18,4% num ano. Em Lisboa, foi de 5 299 €/m² (+8,9%). Analisámos estes dados no artigo sobre os preços das casas por município.
  • Avaliação bancária. O valor mediano atribuído pelos peritos nos pedidos de crédito foi de 2 278 €/m² em setembro de 2026, mais 14,2% num ano, segundo o INE. Explicámos o indicador no artigo sobre a avaliação bancária de setembro.

Os três indicadores diferem nos valores porque medem fases diferentes (anúncio, avaliação para crédito e escritura), períodos diferentes e áreas calculadas de forma diferente. Não devem ser comparados diretamente, mas todos mostram preços a subir em todas as regiões.

O que isto significa para si

Se vai comprar casa

  • Use o preço pedido como ponto de partida, não como valor final. Compare com as vendas recentes na mesma zona e com a avaliação do banco, que define quanto lhe pode emprestar.
  • Olhe para lá das capitais. Em várias cidades médias, o preço por metro quadrado está abaixo de 2 000 €, mas foi aí que as subidas anuais foram mais fortes. Compare também os custos de deslocação e os serviços disponíveis.
  • Faça contas ao crédito antes de visitar casas. Com juros a subir, a prestação pesa mais no orçamento. Veja quanto precisa de ganhar para comprar casa e, se tem até 35 anos, as regras da garantia pública e do IMT jovem, que se aplica a contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026.

Se vai vender casa

  • Um preço recorde no índice não garante o preço que pede. Os preços pedidos medem anúncios; com menos transações, uma casa acima do valor de mercado pode ficar mais tempo à venda.
  • Fixe o preço com base em dados da sua zona. Em Lisboa e no Porto, as subidas anuais foram mais baixas do que a média. Veja como saber o preço certo antes de vender.
  • Conte com os impostos. Antes de aceitar uma proposta, veja quanto pode pagar de mais-valias e outros custos na venda.

Se quer saber quanto vale a sua casa ou que casas cabem no seu orçamento, a equipa K-Invest pode ajudá-lo a analisar os preços da sua zona.

Perguntas frequentes

Quanto custa o metro quadrado de uma casa em Portugal?

Segundo o idealista, o preço mediano pedido nos anúncios de casas à venda foi de 3 249 €/m² em outubro de 2026. O preço mediano das casas efetivamente vendidas, medido pelo INE, foi de 2 445 €/m² no 2.º trimestre de 2026. São indicadores diferentes.

Qual é a cidade mais cara para comprar casa?

Entre as capitais de distrito e das regiões autónomas, Lisboa, com um preço pedido de 6 248 €/m² em outubro de 2026. Seguem-se o Porto (4 339 €/m²), o Funchal (4 045 €/m²), Faro (3 944 €/m²) e Setúbal (3 227 €/m²).

Onde subiram mais os preços das casas no último ano?

Nas capitais de distrito, Vila Real (+20,3%), Guarda (+18,4%), Beja (+17,6%), Leiria (+16,9%) e Faro (+15,5%). Por região, o Alentejo (+14,3%), os Açores (+13,9%) e o Centro (+12,5%).

Os preços das casas vão descer?

Os dados de outubro não mostram descidas a nível nacional, mas mostram um abrandamento: a subida anual passou de 14,4% em novembro de 2025 para 7,5% em outubro de 2026. No Norte e na Madeira, os preços pedidos estão ligeiramente abaixo dos máximos registados este ano.

Porque é que os valores do idealista e do INE são diferentes?

O idealista mede o preço pedido nos anúncios, por metro quadrado de área construída. O INE mede o preço das vendas declaradas às Finanças e o valor das avaliações bancárias. Os períodos e as áreas usadas também são diferentes.

Fontes

Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação profissional nem aconselhamento financeiro. Os valores do idealista são preços pedidos em anúncios e podem ser revistos. Informação atualizada a 2 de novembro de 2026.